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“Usa Drogas quem quer !” vício atrás dos volantes

Salvador/São Paulo em 30 horas. Mossoró/São Paulo em 24 horas. Itajaí/Fortaleza em três dias. Como cumprir esses prazos transportando 30 toneladas em um caminhão?
Utilizando dois motoristas ou obrigando que um deles fique longos períodos sem dormir.
Como a segunda opção representa menos custos, transportadoras sem escrúpulos e sem noção de que podem perder muito mais do que a carga, passam a escala de horário e o motorista que faça a loucura que quiser para cumpri-la.
Os motoristas ficam na encruzilhada: aceitam a tarefa e partem para a estrada abastecidos de rebite, cocaína e crack, arriscando suas vidas e as vidas de outras pessoas, ou se recusam a cumprir o horário e perdem o emprego? Na maioria das vezes, as contas falam mais alto e o caminhoneiro sai para uma viagem que pode não ter volta.
Mas o que leva o caminhoneiro a se drogar e entrar em uma estrada? O motivo mais frequente apontado pelos próprios motoristas é o curto espaço de tempo que as empresas dão para cumprir um determinado percurso. “Uma empresa me obrigava a fazer Salvador/São Paulo em 48 horas”, afirma Claudio Cosme Moreira, 32 anos, e há oito na estrada. “E eu cheguei a fazer em 30, na base do rebite e da garrafinha”, afirma sorrindo. A garrafinha era usada para urinar, sem ter que parar nos postos, o que tomaria tempo.
“Eu tomei muito rebite para cumprir horário porque tinha a ilusão de ganhar dinheiro, pagar as contas e não é nada disso”, garante Moreira. “Hoje eu não tomo nenhuma droga, estou muito bem, com dois caminhões e aos 32 anos de idade, estou bem fisicamente, ‘to novo’. Se eu continuasse na tocada que estava, não chegaria aos 40 anos. A droga acaba com as pessoas”.
É usual no meio, falar que o caminhoneiro é um “coitado, refém dos patrões”. Mas uma voz afirma em alto e bom tom que isso não é verdade, que o caminhoneiro tem sua parte de culpa. “Se o patrão te manda dirigir a noite toda, troque de patrão”, aconselha Emilio Dalçoquio, diretor Operacional da Transportes Dalçoquio.
“Se o cliente te manda dirigir a noite toda, troque de cliente e se a vida lhe transformou em um drogado, troque de vida. Atualmente existe um grande número de ofertas para motoristas bons, capacitados e com consciência. Só toma droga quem quer”, afirma.

Operação contra rebite apreende mais de 40 mil comprimidos de anfetaminas nas BRs

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) iniciou no final da tarde de segunda-feira (19/12) a Operação Morfeu. Até o momento foram apreendidos mais de 40 mil comprimidos de anfetaminas diversas, conhecidos entre os caminhoneiros como “rebites”. Junto com as substâncias, também caiu na apreensão cerca de R$ 25.000,00 em espécie, armas de fogo e munições. Pelo menos 25 envolvidos com os crimes foram presos.
De acordo com a PRF, entre os detidos estão funcionários de postos de beira de estrada, apontados pelas investigações como facilitadores do esquema. Os envolvidos poderão ser enquadrados nos crimes contra a saúde pública, e cumprir penas de 1 a 15 anos de reclusão.
Em Goiás, a polícia averiguou restaurantes, lanchonetes, postos de combustíveis, transportadoras e residências ao longo da BR-153, entre as cidades de Anápolis e Porangatu. Foram apreendidos mais de 12 mil comprimidos de anfetaminas, e cerca de R$ 10.000,00 em dinheiro e cheques. Oito suspeitos foram presos.
No Maranhão, em Santa Inês, em um posto de combustíveis na BR-316 foram apreendidos mais de cinco mil comprimidos de anfetamina. Já na Bahia, em Santo Antônio de Jesus, os agentes apreenderam em uma empresa farmacêutica cerca de 1.200 frascos de medicamentos irregulares. Segundo agentes da Anvisa, os produtos eram comercializados sem licença do órgão regulador.
A Operação Morfeu é o resultado de um trabalho prévio de inteligência realizado pela PRF, que mapeou áreas vulneráveis e monitorou a ação dos criminosos que facilitavam a chegada de anfetaminas até os caminhoneiros.
Para a polícia, o cansaço e o uso de drogas podem estar entre as causas de muitos acidentes graves envolvendo veículos de carga nas estradas brasileiras. Os “rebites” geralmente são receitados para o tratamento de obesidade, sendo necessária receita médica para sua obtenção.
Além da diminuição do apetite, o seu uso traz uma sensação de “vigor”, inibindo o sono e o cansaço. Mas os reflexos ficam prejudicados, e, passado o efeito, o motorista é surpreendido por um cansaço repentino, podendo adormecer instantaneamente ao volante.