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A primeira impressão é que fica

A chegada dos caminhões chineses ao Brasil é coisa recente e pouco se sabe sobre o comportamento dinâmico dos veículos e, opinião quase geral, todos são ruins e frágeis, até que se prove o contrário. Aproveitando as atividades de teste de durabilidade e desenvolvimento de componentes a que a empresa Meta está aplicando nos produtos da Shacman, fomos até a cidade de Tatuí, onde funciona a base de desenvolvimento da montadora,  para acompanhar e avaliar a performance  dinâmica de dois modelos, um estradeiro de alta tonelagem e outro de operação no fora-de-estrada. Embora os caminhões estivessem devidamente aparelhados para obtenção de dados, o objetivo foi tomar conhecimento sobre o desempenho dos pesados em seus ambientes naturais.    
A base motriz dos produtos globalizados da chinesa Shacman é fornecida pela Cummins. No caso específico do modelo cavalo mecânico TT 420 e do todo terreno DT 385, ambos com tração 6x4, é o motor ISM 11 E5, com sistema de injeção eletrônica e resfriamento pós turbina. Um ajustezinho na eletrônica faz a cavalaria de 385 cv e 1.825 Nm de torque (a 1.200 rpm) disponível do fora-de-estrada saltar para 420 cv e 2.000 Nm de torque (nas mesmas 1.200 rpm) no cavalinho estradeiro. No resto tudo igual – seis cilindros em linha e 10,8 litros de pulmão. Já devidamente homologado para o Proconve P7, ambos queimam o limpíssimo diesel S 50 com o aditivo Arla 32. Segundo João Comelli, diretor técnico da empresa, esse motor já era considerado quase descontinuado pela Cummins quando a Metro Europa iniciou o projeto de desenvolver um caminhão chinês para o mercado brasileiro. Com as devidas atualizações, o motor é considerado pelo engenheiro como um dos pontos fortes dos produtos, pois é robusto e econômico. 
Olhando por fora, a cabine não e lá essas coisas em termos de design e até ultrapassada se comparada com alguns modelos de fabricação local, como o Scania, Volvo e Iveco.  Sua procedência vem da MAN, marca com a qual a Shacman se associou em 2002 quando lançou seus olhares para o mundo.  Mesmo que não seja um primor em aparência, internamente reserva alguns elogios. Durante horas na cabine, mesmo sem o ar condicionado, a temperatura da se manteve agradável apesar do forte calor, o que revela um bom isolamento térmico. E ao recorrer à ventilação natural, o que exigiu janelas abertas, foi possível manter diálogos dentro da cabine com o motor operando na faixa dos 2.000 rpm. Isso trouxe outra revelação importante. A cabine tem bom isolamento acústico também. O acabamento está longe de ser rústico, embora também não seja dos mais sofisticados. O banco do ajudante é desconfortável, já o do motorista não há o que reclamar o que leva a gente a querer ficar mais tempo ali do que no banco ao lado. A cabine do cavalinho, do tipo avançada, é alta e vem com duas camas no formato beliche, mas mantém um desconfortável túnel central.
Uma das vantagens de avaliar um produto preparado para teste de durabilidade é que geralmente está com sua capacidade máxima. No caso do TT 420 6x4, a dosagem foi um pouco além, pois a composição bi-trem estava lastreada com 77 toneladas, enquanto seu PBT é de 73. Para a empresa que gerencia os testes, essa é uma forma de se chegar a resultados práticos mais rápido além de comprovar a resistência. Para quem está atrás do volante é a oportunidade de ver o comportamento do motor e transmissão com o veículo operando além do seu limite de carga. E pelo que se pode observar ao longo de mais de 150 km pelo sobe e desce da Castelo Branco, o motor tem pedigree. Sua atuação ideal fica entre 1.400 a 1.900 rpm e, se mantido nesse regime, faz sua parte garantindo velocidade de cruzeiro entre 80 e 90 km/h. Se pisar fundo passa permite chegar aos 100 km/h, mas não era o caso.         
Colocar 77 toneladas em movimento após uma parada de pedágio, com piso plano, exige paciência chinesa, especialmente quando se tem uma caixa com 16 marchas à frente. Mas quando isso acontece em trecho com pequeno aclive só faz ampliar a satisfação de ver todo o conjunto motriz trabalhando para que a viagem não perca seu time. É aí que surge outro pulo do gato, segundo os técnicos da Shacman e depois comprovado em campo, a caixa de transmissão de 16 velocidades, todas sincronizadas. A relação de marcha vai de uma verdadeira arranca toco, com 14,03:1, para uma suave 16ª com relação de 0,83:1 que garante excelente velocidade de cruzeiro. 
O fabricante é a Fast, empresa hoje 100% chinesa que fornece transmissão para todas as montadoras de caminhões naquele país. Mas sua tecnologia, como quase tudo que é chinês,  é herança de uma parceria com a Eaton Fuller, que já não existe mais, e com a ZF que é a matriz tecnológica da caixa de 16 velocidades usada no modelo TT 420, batizada de 16 JS 200 TA (tem outra versão 16 JS 180 TA), cujo torque máximo é de 2.000 Nm. O operacional de maneira geral é muito simples e leve.  Atuando com o regime marcha reduzida, seguida da marcha normal e saltando para a reduzida da subsequente, a velocidade vai surgindo de forma lenta e gradativa, mas sem vacilo, facilitada pelos engates precisos e leves.  O único momento de maior cuidado esta na troca da caixa baixa para a alta, o que acontece entre a 8ª e 9ª marcha.  Para garantir perfeito rendimento é preciso ficar atento para não deixar o motor perder o pique. Qualquer trapalhada de um laranja que segue à frente a subida fica comprometida.             
A composição bi-trem, por conta da sua instabilidade “emocional” é uma dos formatos mais difíceis para o motorista conduzir. O cavalo traciona pra a frente e as carretas atuam com forças vetoriais que apontam para lados diferentes e tudo sobra para a caixa de direção e o conjunto de suspensão que atuam para amenizar uma verdadeira dança de loucos. No Shacman TT 420, em velocidade cruzeiro de 80/90 km/h, a estabilidade direcional não é 100% e exige concentração para que a composição seja mantida na linha. Quando pega o jeitinho, o motorista consegue antecipar o movimento e corrigir de forma preventiva o movimento que começa vários metros atrás. Mas isso não significa que o desconforto não existe.  A caixa hidráulica servo assistida não tem um pouco culpa nesse particular, que pode ser creditada mais à suspensão e ao próprio conjunto bi-trem que provoca esses tipos de movimentos. Mas é preciso que se diga que a estabilidade do cavalo mecânico e a cabine é excelente e não se nota nenhum movimento que traga desconforto para quem viaja, como a famosa quicada “engole camisa”. 
Para um primeiro contato, o TT 420 deixa boa impressão. Detalhes do projeto, como o alojamento do sistema de alimentação dos freios dentro das longarinas e os eixos dianteiros e traseiros da marca Hande que são fabricados na China, mas desenvolvidos com tecnologia alemã (leia-se MAN) de última geração, revelam que não há nada feito por acaso neste caminhão. Itens reclamados, como o tanque único de combustível único de 400 litros (de alumínio) da unidade avaliada foram prontamente informados de serão dois no produto final para aumentar a autonomia. O sistema de freio utiliza o convencional duplo circuito de ar comprimido do tipo S Cam com tambores nas rodas dianteiras e traseiras.
Mas todos os modelos da Shacman possuem cabeamento para receber o controle eletrônico de frenagem (ABS) que é item opcional. O freio motor (Jacobs), de atuação na borboleta, também aparece como item adicionável ao preço base. Quando vai custar é outra pergunta que ainda fica no ar pois a Metro-Shacmann  ainda mantém essa informação reservada, mas adianta que deve ficar entre 25 a 35% mais barato que um concorrente nacional com os mesmos atributos.

Fábrica chinesa de caminhões em Camaquã irá gerar quase 500 empregos

Fábrica chinesa de caminhões em Camaquã irá gerar quase 500 empregos Caco Argemi/Palácio Piratini/Divulgação

A cidade de Camaquã será a sede da fábrica de caminhões da empresa chinesa Shiyan Yunlihong Industrial and Trade Company — ligada à gigante chinesa Dongfeng Motor Corporation. O anúncio foi feito nesta tarde no Palácio Piratini, onde o grupo participou de encontro com o governador Tarso Genro.

A decisão estava prevista para ocorrer no final deste mês, mas segundo Zero Hora informou ontem, o anúncio foi antecipado. A cidade de Santa Maria também estava na disputa. 

O investimento na unidade deverá ser de US$ 80 milhões, de acordo com informações da empresa. Serão criados 200 empregos durante a fase de implantação e 455 na operação.

— A escolha por Camaquã se deu por razões de logística, custos e mão de obra — afirmou Lian Bing Yun, presidente da empresa. 

A fábrica terá produção inicial de 5 mil caminhões ao ano e pode quadruplicar este volume em cinco anos. As peças serão importadas e montadas no Estado. Após a obtenção das licenças, a fábrica será construída em dez meses.

 


Ontem, a delegação chinesa visitou a cidade de Tapes, onde há um projeto para a criação de um porto, com calado (profundidade mínima para os barcos flutuarem) suficiente para receber navios de grande porte.

Fonte: Zero Hora

O perfil dos chineses

As marcas chinesas de comerciais vão desembarcando no Brasil aos borbotões. Sem contar as estabelecidas há algum tempo com veículos de pequeno porte – como Chana, Effa, Hafei e Jinbei –, mais três chegam para concorrer em outras faixas de peso. Sinotruk e Shaanxi, nos pesados, e a Foton, no segmento de leves.
Todas as três, consideradas potências chinesas no ramo, chegam com planos de ir beliscando aos poucos boas fatias do mercado brasileiro. Para isso, têm cuidado da tropicalização dos produtos e investido firme na formação da rede de concessionários e centros de distribuição de componentes, que em boa parte levam marcas já conhecidas no País.
A Foton Motor Group – maior fabricante de veículos comerciais da China, com produção anual acima das 700 mil unidades – será representada aqui pela Foton Aumark do Brasil, formada por um grupo que detém negócios como a Autolife, empresa de blindagem e produção de carros-fortes, e uma revenda Hyundai em Belém, PA.
A companhia chinesa possui um extenso portfólio que inclui caminhões semileves, leves, médios e pesados, além de ônibus, utilitários, picapes e automóveis. Para o Brasil, contudo, virão apenas três versões leves das faixas de 3,5 a 9 toneladas. Márcio Vita, diretor executivo da Foton Aumark, explica que escolheram entrar pela linha de leves por diferentes motivos.
Entre os quais por ser um mercado em franco crescimento, com uma quantidade menor de concorrentes, e para evitar as dificuldades da transição para as normas de emissões Conama P7, ou Euro 5, devido às incertezas da existência de combustível de qualidade adequada em todas as regiões do País.
O diferencial maior dos modelos Aumark que aqui chegam está no fato de terem sido desenvolvidos especialmente para o mercado brasileiro pela Foton chinesa, que possui parcerias com Daimler, Bosch, Visteon e Cummins. Por isso os Aumark utilizam motores Cummins fabricados no Brasil e dentro das especificações das novas regras do Conama P7. Seu début em terras brasileiras, contudo, está marcado apenas para os salões da Fenatran, entre 24 e 28 de outubro, na capital paulista, no qual estarão presentes também todas as novas marcas de comerciais chinesas.
De início, a importadora brasileira investirá um total de R$ 50 milhões, boa parte deles em peças. Segundo Vita, preocupados com o bom atendimento, planejam triplicar os 4% a 5% normalmente gastos com estoque de componentes. Mesma preocupação com a rede nessa partida de negócios.
“Em um primeiro momento teremos dez pontos de vendas e assistência técnica, metade deles localizados no estado de São Paulo. Mas a meta é chegar a 2015 com 80 representantes.”
No mesmo embalo de tirar uma casquinha da demanda crescente, desembarcou por aqui o conglomerado Shaanxi, cujos veículos carregam a denominação de uma de suas companhias, a Shacman. No Brasil será representada pela Metro Shacman, importadora criada para representar a marca que produz caminhões há mais de 40 anos.
No Brasil vão ingressar no segmento de pesados que serão apresentados oficialmente também na Fenatran. São cavalos mecânicos nas configurações 4×2 e 6×4, com opções de motor de 385 e 420 cavalos, da fase Conama P7, que têm como base a plataforma Cummins ISM, empregados nos caminhões Ford e Volkswagen brasileiros.
João Comelli, diretor de produto da Metro Shacman, também enfatiza que “é um caminhão brasileiro montado na China”.
Do projeto de assistência técnica consta um centro de distribuição de peças na cidade paulista de Sorocaba, distante 102 quilômetros da capital. Adquiriram um terreno de 50 mil m2, onde 2 mil m2 serão destinados ao armazém e outra parte a uma área de revisões, ambas em pleno funcionamento em janeiro de 2012. Na fase 1, que engloba a criação da empresa, desenvolvimento dos produtos e homologações, já foram investidos R$ 10 milhões.
“Os gastos com a rede de concessionários e o centro de distribuição não estão consolidados nesse valor, porque ainda estão em fase inicial. Mas poderão chegar a R$ 100 milhões nos próximos três anos.”
No final de julho a Metro Shacman contava com 17 concessionárias praticamente firmadas em contrato. E a meta é chegar a 25 casas, em curto tempo.

Representada no Brasil pela importadora Elecsonic – empresa constituída com capital inicial de R$ 11 milhões –, a Sinotruk Group, que é um braço da CNHTG, China National Heavy Duty Truck Group, chegou por aqui em 2008. Naquela época, os representantes brasileiros trouxeram dois cavalos mecânicos Howo e colocaram em clientes, para sentir a operação no dia-a-dia. Hoje a Sinotruk Brasil conta com algumas centenas de unidades vendidas e operando, principalmente entre autônomos e transportadores de pequeno e médio porte, que acumulam quilometragens acima dos 300 mil quilômetros.
Os Howo oferecem versões para vocações rodoviárias e, recentemente, começaram a ser testados em outros nichos, com o transporte de cana. Os motores atuais são fabricados pela Sinotruk e ainda estão na fase Conama P5, ou Euro 3, no que diz respeito a emissões. Joel Anderson, diretor comercial da Sinotruk Brasil, antecipa que a marca está homologando os motores da fase P7, ou Euro 5, que entrarão em linha em 2012, mas estarão presentes no estande da Fenatran.
“Teremos potências de 20 em 20 cavalos na faixa de 320 a 460 cavalos”.
Ao mesmo tempo, seu time de engenheiros busca desenvolver peças e componentes junto ao mercado nacional. Um exemplo recente a Fras-le anunciou o lançamento de lonas de freios traseiras para os Howo.
“Na parte mecânica do caminhão não existe nada que o mercado desconheça. Na eletrônica básica é bem similar aos Volvo”.
De fato o modelo Howo é fruto de uma parceria com a fábrica sueca que durou até 2008 e, desse modo, tem elementos Volvo e uma cabina assinada do famoso designer italiano Giorgetto Giugiaro. Além disso, a Sinotruk firmou parceria recente com a MAN e possui acordos de cooperação com marcas como ZF, Wabco, Denso e Bosch.
A Sinotruk Brasil agora está montando novo centro de distribuição de peças em Campina Grande do Sul, PR, porque o original tornou-se pequeno para o estoque de componentes que correspondem ao caminhão inteiro. Praticamente em fase final de organização, o novo armazém faz entregas com urgência por avião e as normais com transportadora.
Em maio último a rede de concessionários contava com 28 casas e alguns postos avançados de serviço. Os planos naquela época eram de chegar a 40 revendas no final de 2011, mas o número acabou suplantado e, no início de agosto, já haviam 41 representantes instalados pelo Brasil.
O que oferece cada um
Foton – Aumark 311, 614 e 917
São três produtos das categorias semileves e leves. O Aumark 311 é um veículo compacto, com tração 4×2, 4,8 metros de comprimento e 1,82 metros de largura. Motor turboalimentado Cummins ISF 2.8, com sistema de injeção eletrônico Common Rail Bosch e potência de 108,7 cavalos, da fase Proconve 6, ou Euro 4 de emissões. Utiliza caixa de mudanças ZF 400. O 614 é um leve para 6 toneladas equipado com motor Cummins ISF 3.8 eletrônico, com potência máxima de 143 cavalos já adaptado para o Euro 5. E o modelo leve 917 com chassi de 8,3 metros de comprimento, 2,3 metros de altura e 2,1 metros de largura. Também utiliza motor Cummins ISF 3.8s 5089 de 170 cavalos da fase Euro 5 e possui opção de cabina estendida.
Shaanxi – Shacman TT 385 (4×2/6×2) TT 420 (6×4) e LT 385 (6×4)
As quatro versões de cavalos-mecânicos Shacman, utilizam o motor eletrônico Cummins ISM 11 E5 385, diesel com turbo e aftercooler de 10,8 litros e 6 cilindros em linha, com 385 cavalos de potência, da fase Conama P7, Euro 5. Dependendo da tração tem peso bruto total combinado de 46, 57 e 67 toneladas e capacidade máxima de tração de 67 e 72 toneladas, nas versões 385 e 420 cavalos.
Sinotruk – Howo 380 (6×2 e 6×4)
Duas versões de caminhão trator para um peso bruto total de 60 toneladas. Utilizam por enquanto motor eletrônico da Sinotruk, de injeção common rail, com potência máxima de 380 cavalos, ainda da fase Conama P5, ou Euro 3, de emissões. A partir de janeiro do próximo ano terão nova opção de propulsores com potências de 320, 340, 360, 380, 400, 420, 440 e 460 cavalos, da fase Conama P7, Euro 5.
Fonte: Transpodata