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Somente duas montadoras reajustaram preços de caminhões Euro 3

                         
Compre em 2012 com o preço de 2011. É com este espírito que grande parte das fabricantes de caminhões no Brasil segue vendendo seus veículos com motores Euro 3 até 31 de março, ou seja, sem reajustar o preço dos produtos feitos até o último dia do ano passado. Entre as empresas que reajustaram, o índice de alta foi igual: 2%.

As montadoras que não reajustaram valores foram: Ford, Mercedes-Benz, Iveco, International e Agrale. MAN Latin America e Volvo optaram em acrescer 2% no preço de seus caminhões para este ano. Tomando a Tabela Fipe (da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP) como referência de cálculo, nota-se que o índice sinaliza que a escolha dos dois pontos percentuais se dá em virtude da depreciação de mercado sofrida pelos veículos. 

Hoje, o preço médio de um FH 400 6×2 2011 chega a R$ 283.481,00. No mês passado, era R$ 290.851,00. Apesar da diferença de R$ 7.370,00 prevista pela Fipe, se aplicado o reajuste de 2% no valor do caminhão neste mês de janeiro, o custo final pode aproximar-se ao registrado em dezembro de 2011: R$ 289.151,00.

Por meio de nota, a MAN Latin America ressaltou que seus caminhões Euro 3 são vendidos como ano/modelo 2011/2012, e que houve sim um reajuste de 2% nos preços. Hoje, de acordo com a Tabela Fipe, o preço médio de um modelo Constellation 25-320 6×2 Titan Tractor, ano 2011, é R$ 199.551,00. Em dezembro do ano passado, o preço médio era R$ 204.255,00. Com o reajuste de 2%, o valor pode chegar a R$ 203.542,00.

Entre as que não reajustaram, a Ford informou que não mexe na sua tabela de preços desde outubro do ano passado. Já a Iveco não altera os valores há mais tempo: desde o mês de fevereiro.

As montadoras Scania e Sinotruk foram contatadas pelo Portal Brasil Caminhoneiro, mas até o fechamento desta matéria não responderam a nossa solicitação.

As tecnologias que levam ao Euro V

O sistema SCR usa o Arla 32 para alcançar os níveis exigidos pelo Proconve P-7

Diferente do que foi a introdução do Euro III, em 2006, onde para se chegar aos niveis de emissões de poluentes exigidos foram apertados alguns parafusos e feitos alguns ajustes na eletrônica embarcada, no Euro V o buraco é bem mais embaixo. Antes de tudo, é preciso saber que entre diversos requisitos, o Proconve P7 (Euro V) exige a redução de 80% nas emissões de material particulado e de 60% nas emissões de óxidos de nitrogênio (NOx), em relação à legislação atual. Para chegar aos valores sugeridos na emissões de NOx e ainda obter  menor consumo de combustível, os fabricantes tomaram dois rumos, mas ambos levam ao mesmo resultado.
EGR - Recirculação de Gases de Escape 
Esse sistema é usada pela MWM International, que vai para alguns modelos da Volkswagen Caminhões  e por fabricantes de motores de baixa cilindrada (FPT), usados pela Iveco e Hyundai.  Como o próprio nome diz, esse sistema recorre à recirculação dos gases emitidos pelo escapamento como forma de redução de HC e CO. Os materiais particulados são reduzidos através da alta pressão de injeção de combustível. A válvula EGR controla eletronicamente o nível de recirculação dos gases de exaustão. Nesse sistema não há necessidade de outros aditivos, e as peças na linha de exaustão têm que ser construídas em aço galvanizado. Os gases de exaustão geram mais calor, e por isso essa opção exige redimensionamento no sistema de arrefecimento do motor.
SCR - Redução Catalítica Seletiva
Esse sistema cumpre exatamente os mesmos objetivos por outros meios. Nessa tecnologia é incluido o uso de ARLA 32 (Agente Redutor Líquido de NOx Automotivo) no escapamento do veículo para pós-tratamento dos gases de escape por redução catalítica seletiva (SCR). O ARLA 32, que é armazenado num reservatório específico no veículo, converte o NOx em Nitrogênio puro e em vapor de água, que são inofensivos à natureza, melhorando a qualidade do ar. As vantagens é que não interefere no arrefecimento do motor (maior durabilidade) e traz como desvatagem o fato de ter que levar um reservatório e gerar custo (e manutenão) com o aditivo.  Ou seja, além de se preocupar se terá Diesel S-50 na rota, o operador deve ficar atento também sobre o fornecimento do Arla 32. 

O Adeus para F4000 e MB 710

Nem todos vão se lembrar e muito menos estarão ligados nisso, mas quando soar as badaladas do “Adeus Ano Velho. Feliz Ano Novo”, à meia noite do próximo sábado, não existirá ano novo para dois mitos do transporte urbano no Brasil. Com a chegada do padrão Euro V a partir do dia primeiro de janeiro, Ford F-4000 e Mercedes-Benz 710 estarão oficialmente fora das linhas de produção. A Ford não fez nenhum anúncio sobre a descontinuação da famosa e lendária linha Série F, já a Mercedes divulgou vasto material contando a história industrial do Lázaro, apelido carinhoso do Mercedinho 710   


Retirar do mercado um caminhão como o F-4000 que, apesar da idade tem seu público cativo, é uma decisão corajosa, mas a equação era mesmo econômica, por conta dos custos muito altos de produção de sua última geração. Com a saída do modelo, a empresa, além de perder vendas, abriria de graça espaço para os concorrentes, justamente em momento em que a concorrência se arma com muitas novidades.
História - A linha F nasceu no Brasil em 1957 com o modelo F-600, um caminhão tipicamente estradeiro para a época e que foi muito usado na construção de Brasília, puxando carga de São Paulo. O motor era um V8 a gasolina, de 4,5 litros, que foi usado nos caminhões da marca até 1977.
Em 1971, a Ford já comemorava a produção de 200 mil unidades do modelo. A linha vinha crescendo com a picape F-100 e a F-350, mas a grade novidade veio em 1975, com o lançamento dos caminhões médios F-400 e F-4000, de maior capacidade, maior plataforma de carga e suspensão dianteira independente, do tipo Twin-I-Beam. O motor, um MWM D-226-4 a diesel. 
A linha F começou a ficar mais profissional e “estradeira” a partir de 1977, com a chegada dos modelos F-7000 e FT-7000, este último com terceiro eixo de fábrica. A família também contava com os modelos F-8000 e FT-8000, além do cavalo mecânico F-8500, capacitado para 30,5 toneladas de peso bruto total combinado. O motor era um Detroit Diesel 6V. Um ano depois, veio o motor MWM, que passa a puxar também os modelos da linha 7000. 
A história da linha F sempre foi marcada pelo lançamento e descontinuação de modelos intermediários. Um deles foi o F-2000, com motor Diesel MWM D-299-4, freios dianteiros a disco, e capacidade para duas toneladas de carga útil e opção de direção hidráulica.  Com o lançamento do modelo Cargo em 1985, a linha F ficou para segundo plano mas, apesar da sua cabine ultrapassada, sempre teve sua fatia de mercado no transporte urbano. 
Em sua fase final, os médios da série F tiveram um design tão estranho que acabou rendendo o apelido de sapão. Mas o F-16000 sumiu rápido, logo seguido pelo F-12000 e F-14000, em 2006. Sobravam os pequenos. Até agora. O F-4000, particularmente, deixa uma história com mais de 150 mil unidades vendidas. Ao longo de sua história, a linha F acumulou aproximadamente 570 mil unidades produzidas. 
Veja história do Mercedes-Benz 710 na outra página.

Mercedes faz promoção de Euro III

                                            A Mercedes-Benz, que já declarou abertamente que tem como um de seus principais objetivo para os próximos anos recuperar a liderança nacional de vendas de caminhões, esta divulgando uma campanha com amplas vantagens para quem adquirir modelos da geração Euro III, que serão produzidos até o dia 31 de dezembro de 2011. Na promoção, é oferecido qualquer caminhão da linha Mercedes 0km com taxa de 0,82% ao mês, ou 9,84% ao ano. Outra facilidade é o parcelamento da entrada em até 60 meses e todo o processo será financiado pelo BNES Finame, através do Banco Mercedes-Benz. 

Pelas regras do Proconve P-7, a partir de primeiro de janeiro de 2012 os fabricantes de veículos comerciais pesados só podem tirar da linha de montagem caminhões do padrão Euro V, que possuem tecnologia mais avançada para o controle de emissão de poluentes. Mas as montadoras poderão faturar até março de 2012 os modelos Euro III produzidos em 2011. Muitas transportadoras estão antecipando compras e renovação da frota para garantir melhor preço, uma vez que os novos Euro V serão de 8 a 12% mais caros. A promoção da Mercedes-Benz vale para todo o território nacional. (André Gomide) 

Compra antecipada de caminhões Euro 3 é abaixo do esperado e mercado cai em setembro depois de meses de alta


O mês de setembro freou a tendência de alta que o mercado de caminhões vinha apresentando neste ano, especialmente no segundo semestre, quando se previa incremento nas vendas por conta dos preços dos veículos comerciais que serão mais altos a partir de janeiro do ano que vem devido à nova motorização Euro 5.
A pré-venda, no entanto, não aconteceu no ritmo esperado. De acordo com os números divulgados hoje pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), no mês passado foram comercializados 14.960 caminhões no mercado interno, uma queda de 9,1% quando comparado com os resultados de agosto que teve 16.458 veículos vendidos, e ainda inferior a julho, quando o mercado absorveu 15.551 caminhões.
No comparativo entre setembro e agosto deste ano, no mercado de leves, com exceção das marcas Iveco e Agrale, todas as demais fabricantes tiveram queda nos negócios. Nos médios, apenas Iveco e MAN conseguiram faturar mais.  No segmento dos semipesados a única que conseguiu vender mais foi a Mercedes-Benz, todas as outras tiveram vendas inferiores a agosto. Já no competitivo segmento dos pesados, todas as fabricantes nacionais venderam menos.
Setembro passado foi ruim para todos os segmentos. Os leves sentiram mais a queda do mercado: os negócios caíram 13,2% comprando-se com o volume vendido em agosto.  O segmento de médios foi o que menos sentiu o abalo: foram 1.325 caminhões vendidos em setembro contra 1.326 em agosto (queda de apenas um veículo). Os semipesados caíram 7,6% e os pesados tiveram queda de 8%.
Considerando todos os segmentos, apenas duas marcas se livraram de amargar vendas menores neste setembro negro: Mercedes-Benz e a nacional Agrale, mas o volume mensal da fabricante brasileira é muito pequeno quando comparado ao mercado geral: as vendas médias da marca gaúcha giram em torno de 70 caminhões por mês. A Mercedes-Benz fechou setembro com 3.952 caminhões comercializados.  Contudo a MAN, embora não tenha tido um bom setembro, ainda assim liderou o mercado nacional com 4.268 unidades faturadas (em agosto vendeu 4.833 caminhões).
O aumento de 30% no preço dos veículos importados somado à estancada geral no mercado fizeram os negócios com caminhões importados caírem 32,7% em setembro comparado com agosto. No mês passado foram vendidos 105 caminhões importados contra 156 em agosto.
A despeito da queda generalizada no setor, o acumulado de janeiro a setembro deste ano foi de 129.918 caminhões licenciados contra 112.141 caminhões vendidos no mesmo período do ano passado (lembrando que 2010 foi o melhor ano da indústria) marcando um crescimento de 15,9% deste ano comparando com igual período de 2010.
Mesmo se as vendas médias acompanharem o fraco desempenho de setembro (cerca de 15 mil unidades) até o final deste ano, ainda assim o mercado total de 2011 fechará dentro das previsões da Anfavea para o setor de caminhões: perto de 180 mil unidades comercializadas. Em 2010 (o melhor ano até agora) o mercado total de caminhões foi de 171.040 unidades, 49,7% maior que o total comercializado em 2009 (114.286 veículos).

Iveco projeta repetir em 2012 o forte crescimento deste ano

Otimismo é a palavra do momento na Iveco, a fabricante de caminhões e ônibus do grupo Fiat. A empresa projeta um cenário de vendas aquecidas no próximo ano, seguindo o que se viu em 2011. “Atualmente, tudo indica que as coisas estão indo por um bom caminho”, disse Antonio Dadalti, vice-presidente da montadora cuja fábrica está em Sete Lagoas (MG)
É uma visão quase oposta daquela das montadoras de veículos de passeio que têm registrado desaceleração nas vendas. No acumulado até agosto, enquanto as vendas de automóveis cresceram 4,9%, a de caminhões saltou 16,34%, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
“O ano passado já tinha sido o melhor da história [para as vendas de caminhões no Brasil]. Mas este ano, poderemos fechar com vendas até 10% maiores”, diz. “O cenário que traçamos para 2012 é que será um ano semelhante a 2011.”
A Iveco, que está no Brasil desde 1997, é a quarta maior fabricante de caminhões do país, com uma fatia crescente do mercado, atualmente em 8,05%. Volkswagen, Mercedes Benz e Ford respondem por cerca de 70% das vendas.
Na avaliação de Dadalti, a única possível interferência à vista é da situação internacional. “A única coisa que pode mudar o cenário é se ocorrer uma contaminação do quadro econômico externo. Mas entre 2009 e 2010, o governo brasileiro tomou uma série de medidas e a demanda interna foi estimulada”, disse o executivo.
“Neste momento, com todas as medidas que o governo tem tomado, nossa visão é que o ano que vem não seja diferente de 2011 em relação às vendas do setor.”
O que puxa e o que continuará puxando a demanda será, na avaliação da Iveco, as obras para a Copa de 2014, os projetos de infraestrutura em curso no país e a multiplicação de usinas para a produção de etanol, entre outros setores.
Dadalti espera que as vendas se acelerem no último trimestre – mais acentuadamente em novembro e dezembro – por causa da entrada em vigor, a partir de janeiro, dos modelos adaptados à nova exigência ambiental Euro 5. Os veículos terão um sistema que polui menos e prontos para rodar com um novo diesel, com menos enxofre, e um aditivo à base de uréia.
“As indústrias estão preparadas para começar a fabricação do Euro 5, mas toda vez que se lança um produto, não se trabalha no mesmo ritmo que o produto anterior. Isso costuma levar um ou dois meses e antes disso pode ser que haja redução na produção”, diz Dadalti. “Essa eventual redução será compensada pelos estoques dos modelos atuais, o Euro 3, que estão nas fábricas e nas concessionárias.”
Os novos caminhões custarão entre 10% a 15% mais do que os atuais e isso tem levado muitas empresas de transporte a antecipar para este ano as compras. Além do preço, diz Dadalti, há uma preocupação por parte das transportadoras com relação à distribuição do novo óleo. “É de se esperar que num primeiro momento nem todos os 37 mil postos de abastecimento estejam preparados para vender o novo óleo”, diz.
Contando com antecipação das compras, a Iveco estima que as vendas dos últimos meses do ano cheguem a 20 mil unidades mensais.
Fonte: Valor Econômico