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Comil anuncia nova fábrica em Lorena





A fabricante de ônibus Comil investirá R$ 110 milhões na instalação de uma unidade voltada para a produção de veículos urbanos em Lorena, no Vale do Paraíba (SP). O anúncio do investimento, que contou com a presença do governador Geraldo Alckmin, foi realizado nesta terça-feira, 24 de julho, durante a assinatura de um protocolo de intenções entre o diretor geral da empresa, Silvio Calegaro, e o presidente da Investe São Paulo, Luciano Almeida. O evento contou, ainda, com a participação do secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado, Luis Carlos Quadrelli, do prefeito de Lorena, Paulo Cesar Neme, e do presidente do conselho de administração da Comil, Deoclécio Corradi.

A fábrica, que vai gerar 500 empregos diretos e mil indiretos, terá capacidade de produção de 20 ônibus urbanos/dia e deverá estar pronta em meados de 2013. Máquinas, equipamentos e capital de giro serão viabilizados com recursos próprios e do BNDES.

Com a nova operação, a Comil vai transferir a produção de ônibus urbanos da unidade de Erechim (RS) para Lorena e elevará em mais de 100% sua capacidade produtiva em relação a esse tipo de veículo. Com a expansão, a empresa estará preparada para absorver o crescimento da demanda por ônibus até 2016, motivada por eventos importantes como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, que demandarão melhorias no transporte de pessoas nas grandes cidades.

A nova fábrica será instalada em um terreno de 210 mil metros quadrados no Vale do Paraíba, às margens da rodovia Presidente Dutra. A qualificação da mão-de-obra local será realizada pela Comil em parceria com o Senai de Lorena. Os cursos serão voltados para a preparação de novos funcionários, possibilitando o desenvolvimento profissional.

Além da Etec do município, que conta com cursos que auxiliarão na qualificação dos profissionais como logística, marketing e segurança do trabalho, o Programa Via Rápida Emprego também oferece para a região, diversas modalidades voltadas aos setores de prestação de serviço, transporte, indústria, comércio e construção civil. “Estão abertas mais de 2 mil vagas para as cidades do Vale do Paraíba, 90 delas em Lorena”, destacou Quadrelli.

Localização privilegiada



      

Uma série de fatores levaram a empresa a definir o investimento em Lorena. O principal deles foi a localização privilegiada do município, próximo aos três principais centros urbanos do Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, que concentram cerca de 60% do total das aquisições de ônibus para transportar pessoas em cidades. “Precisamos estar mais próximos do centro de negócios do País e dos fabricantes de chassi e dos clientes, a maioria situada nos estados do Sudeste, para termos ganhos logísticos e de competitividade”, afirma Calegaro.

A disponibilidade e qualificação da mão-de-obra local também foram especialmente considerados. Calegaro destaca a eficiência e interesse do governo estadual e da prefeitura de Lorena para atrair o investimento. “O Estado e o município tiveram um papel fundamental na decisão de vir para São Paulo, abrindo portas para uma negociação positiva para a empresa e para a comunidade”, destaca o diretor da Comil.

A Investe São Paulo – Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade – está assessorando a empresa na obtenção da infraestrutura adequada à fábrica e no apoio às demandas tributária e ambiental. Para o presidente da Investe SP, ao escolher Lorena, a Comil exercerá um papel fundamental no desenvolvimento da cidade. “O Vale do Paraíba tem vocação automotiva. Vários municípios da região têm condições de receber um investimento como esse, mas para o Estado é fundamental que cidades com baixo IPRS, como é o caso de Lorena, que possui IPRS 5, recebam novas empresas, gerando emprego e renda para a população”, afirma Almeida.

Elaborado pela Fundação Seade, o Índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS) ordena os 645 municípios do Estado de São Paulo de acordo com três dimensões: renda, escolaridade e longevidade. Os municípios classificados no grupo 5 se caracterizam com baixos níveis de riqueza, longevidade e escolaridade.

Inovação

A unidade da Comil foi planejada para produzir veículos urbanos com alta qualidade
equipada com sistema de manufatura inovador, informa Sílvio Calegaro. “Estudamos este projeto por mais de dois anos. Todos os processos foram otimizados e as possíveis perdas identificadas e eliminadas.” A nova unidade terá em sua linha de produção os modelos urbanos Svelto e Svelto Midi.

Com a transferência da produção de ônibus urbanos para Lorena, a fábrica da empresa em Erechim (RS) terá maior foco na produção de ônibus rodoviários, mercado em que a empresa cresceu 40% somente no ano passado, totalizando 1.798 veículos, e projeta ainda mais evolução a partir do aumento das vendas de todos os ônibus da linha Campione e de lançamentos inovadores. Em janeiro deste ano, A Comil apresentou seu primeiro ônibus rodoviário “double decker”, o Campione DD, destinado ao transporte de passageiros de alto padrão.

Caminhões e ônibus têm circulação restrita em avenidas do centro do Rio de Janeiro

Os veículos de carga com peso bruto total (PBT) acima de 3,5 toneladas estão proibidos de circular na pista central da Avenida das Américas, nos dois sentidos, entre a Avenida Ayrton Senna e a Avenida Alceu Amoroso de Lima e no Túnel da Grota Funda no Rio de Janeiro.
As novas normas fazem parte da resolução da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), publicada no Diário Oficial do município do Rio de Janeiro para a implantação do BRT Transoeste. A resolução prevê multas aos infratores, aplicadas por equipamentos de fiscalização eletrônica e agentes da Guarda Municipal.
As medidas foram planejadas pela SMTR e CET-Rio com o objetivo de reorganizar e garantir a fluidez do trânsito nas vias localizadas em torno do corredor.
As normas incluem também a proibição de circulação de ônibus, exceto os do BRT, nos mesmos trechos vedados aos veículos de carga. Segundo a Resolução, publicada na última sexta-feira, a SMTR estabelece limites de velocidade nas seguintes vias, em ambos os sentidos:
Confira os limites de velocidade:
  • Av. das Américas (trecho entre o Canal de Marapendi e a Av. Alveu Amoroso Lima): 70 Km/h, nas pistas laterais e 80km/h, nas pistas centrais
  • Av. das Américas (trecho entre a Av. Alceu de Amoroso Lima e o Túnel Grota Funda): 80km/h
  • Túnel Grota Funda e Av. Dom João VI – 80km/h.                                                                                 

Vendas de caminhões e ônibus cai mais 5% na 1ª metade de abril em relação à março


Mais uma vez as vendas de caminhões e ônibus não foi positiva em relação a outros meses. Na primeira metade de abril, foram comercializados 7.503 veículos, número 5,94% menor em relação com o mesmo período de março de 2012. A quantidade de unidades faturadas, abaixo do outros períodos, evidencia que o mercado ainda não se adaptou à migração da motorização dos veículos do Euro 3 para o Euro 5, algo que deixou caminhões e ônibus de 8% a 15% mais caros.
Assustadora, porém, é a baixa no comparativo com a primeira quinzena de 2011. A queda é de 20,34%, já que na primeira metade de abril do ano passado 9.419 veículos comerciais foram faturados.
Considerando apenas o mercado de caminhões, a redução no número de vendas comparando as primeiras quinzenas de março e abril de 2012 foi de 5,34%. No entanto, na comparação com o período em abril de 2011, a baixa é de 21,88%, de 7.833 faturamentos no ano passado para 6.119, vendidos em 2012.
O mercado de ônibus teve queda maior do que o de caminhões na relação entre a primeira metade de março deste ano com o mesmo período em abril, indo de 1.513 para 1.384, diminuição de 8,53%. O comparativo com 2011, porém, é mais favorável, já que a redução foi de 12,74% (foram 1.586 ônibus faturados na primeira quinzena de abril do ano passado).
Em entrevista com o executivo Ricardo Alouche, Diretor de Vendas e Pós-Vendas da Man Latin America, há uma expectativa de que o mercado irá se adaptar em maio, mês que muitos faturamentos, fato que seguiria forte até o fim do ano, fazendo de 2012 um dos melhores anos em termos de vendas.

MAN desenvolve ônibus off-road para atender setor de mineração


Após solicitações dos setores de mineração, celulose e construção civil, a MAN Latin America desenvolveu um modelo de ônibus fora-de-estrada, o Volksbus 15.190 EOD 4×4, tradicionalmente configurado na versão 4×2. As seis primeira unidades do modelo foram adquiridas pela Transbrasiliana, empresa do ramo de transporte de passageiros em linhas regulares e de fretamento, pelo valor de R$ 2 milhões. Os veículos já estão sendo utilizados no transporte de funcionários da empresa Vale, nas minas de ferro de Carajás, no Pará.
O ônibus off-road possui eixo dianteiro com sistema de diferencial e caixa de transferência Marmom Herrington, eixo traseiro Meritor com bloqueio entre rodas, suspensão elevada e reforçada, dimensões reduzidas no balanço dianteiro e traseiro, assim como no entre eixos.
Segundo Ricardo Alouche, diretor de Vendas, Marketing e Pós-Vendas da MAN Latin America, a expectativa é de que mais unidades sejam produzidas esse ano, já com motorização Euro 5. “O segmento de mineração demonstrou bastante interesse pela nossa história com veículos especiais. Esse mercado representa pelo menos 350 ônibus por ano e se tornou um nicho de grande interesse”, diz o executivo, reforçando a experiência da empresa em ônibus off-road, graças ao Programa Caminho da Escola. “Os ônibus escolares com configuração 4×2 são um grande sucesso. Desde o início do programa do Governo Federal, em 2007, já vendemos mais de 6.000 unidades do veículo, desenvolvido especialmente para o transporte de alunos na zona rural”.

Motor dianteiro é 7% mais econômico do que os mais antigos de 9 litros

Chega no mercado a nova versão Série F da linha 2012 de chassis para ônibus, da Scania. Consagrados especialmente em países da América Latina e na Áfric, são indicados para operações urbanas e rodoviárias de curtas e médias distâncias.
Com motores dianteiros de 9 litros e cinco cilindros, que já atendem às normas do Proconve P-7. Se comparado aos antigos motores de 9 litros, a linha 2012 ganhou aproximadamente 5% em potência, 9% em torque e 7% mais econômicos. Apresenta torque de 1150 Nm na versão de 250 hp e 1550 Nm no modelo de 310 hp.
O motor do veículo foi avançado em 160mm, proporcionando maior espaço no acesso ao corredor do ônibus.
“Até por conta dos futuros eventos esportivos, como Copa do Mundo e Olimpíadas, existe a perspectiva de uma grande demanda por veículos alimentadores. Na verdade os veículos com motorização dianteira ainda representam a grande fatia do transporte urbano de passageiros, respondendo mais de 90% de participação no segmento”, diz Wilson Pereira, gerente executivo, de Vendas de Ônibus da Scania no Brasil.

MB entrega mais de 8.000 chassis

 
De janeiro a julho deste ano, a Mercedes-Benz emplacou 8.203 ônibus, o que representa uma alta de 10% sobre o volume registrado no mesmo período de 2010. Com o resultado, a marca ocupa uma parcela de 45% deste mercado.
“A demanda por ônibus da nossa marca foi expressiva nos primeiros sete meses de 2011”, confirma Jürgen Ziegler, presidente da Mercedes-Benz do Brasil. Para este ano, o país deverá absorver um volume recorde de ônibus. “A estimativa no setor é que o mercado brasileiro pode chegar a 35.000 unidades este ano, o que significa um incremento de 15 a 20% sobre o volume de 2010, que também havia sido recorde”, analisa.
O crescimento da economia tem produzido impactos positivos nas vendas de ônibus. “As condições de financiamento se mantêm atrativas, o que tem levado muitos clientes a renovarem suas frotas. Este é o caso de empresas de transporte coletivo urbano de regiões metropolitanas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Salvador”, destaca Jürgen Ziegler.
No período, a MB exportou 5.232 chassis de ônibus para cerca de 50 países, com destaque para América Latina.

96 horas – A viagem de ônibus mais longa da América do Sul – São Paulo a Lima, no Peru

A mais longa linha de ônibus da América do Sul tem 5.917 quilômetros e liga o Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo, ao bairro de San Isidro, em Lima, no Peru. Centenário sonho de integração dos dois países, a viagem por terra do Atlântico ao Pacífico une um complexo de estradas que cruza cinco Estados brasileiros e sete departamentos peruanos em uma travessia de quatro dias.
Na semana passada, acompanhamos a aventura de 18 passageiros que enfrentaram 96 horas de viagem a bordo de um ônibus da empresa peruana Expreso Ormeño. As paradas do veículo de dois andares, que tem lugar para 44 passageiros (mas viajou a meia-carga), ocorrem somente para abastecimento de combustível, alimentação e higiene – cada uma delas de no máximo 40 minutos.
A partida para a capital do Peru acontece no boxe 31 do Tietê, às 8 horas, uma vez a cada 15 dias. A passagem custa R$ 468. A linha São Paulo-Lima é operada desde novembro pela Ormeño, empresa de transporte internacional rodoviário com rotas do Peru para o Chile, Colômbia, Bolívia, Equador, Argentina e Venezuela.
A primeira parada, após 6 horas de rodagem, ocorre em Maracaí, na Rodovia Raposo Tavares, próximo de Ourinhos, às 14h, para reabastecimento e almoço. Neste ponto começam a aparecer os primeiros incômodos da longa travessia. A próxima parada para esticar as pernas só ocorrerá em Cáceres (MT), na manhã do segundo dia. É a hora de aproveitar o primeiro – e reconfortante – banho.
Por R$ 3, os passageiros podem desfrutar de sete minutos de água quente em um banheiro controlado por um funcionário do posto de gasolina que, aos gritos, coordena a ligação dos chuveiros, em série, tanto do lado masculino quanto do feminino. “Número um tá ligado. Mas tem de esperar um minuto para a água chegar aí. Número dois, pode ligar?”, berra o rapaz, à porta dos sanitários.
A seguir, novamente horas e horas de pastos, gado e a faixa de mata ao longe, acompanhando o ônibus até a parada em Pontes e Lacerda para o almoço, às 14h. No cardápio, arroz, frango frito, macarrão, salada. Logo após, o aviso: nova parada somente no dia seguinte, por volta das 7h, em um bar de beira de estrada em Nova Califórnia, divisa de Rondônia com o Acre.
Mas, antes, no meio da noite, uma surpresa: a travessia do Rio Madeira, na BR 364, altura de Abunã, tem de ser feita em balsa. Toca a descer todo mundo para o ônibus passar vazio, com o povo acomodado ao lado do veículo. Adiante, após uma hora na rodoviária de Rio Branco, finalmente a fronteira: Assis Brasil (lado brasileiro) e Iñapari (Peru).
Parada forçada. Sem RG, o passageiro Cristopher Hernán Pacheco, de 15 anos, é barrado pela Polícia Federal brasileira, e provoca uma parada forçada de três horas na viagem. Após uma ligação a São Paulo, onde vive a família de Cristopher, agentes se convencem de que está tudo legal com ele. Peruano com cidadania brasileira, o rapaz retorna a seu país após quatro anos. Está ansioso por rever sua terra. Poucos metros depois, ao passar pela alfândega, mata a saudade de beber Inca Kola, refrigerante popular no Peru.
Começa neste ponto a estrada Interoceânica, trecho recém-asfaltado, que liga Assis Brasil, no Acre, a Puerto Maldonado, capital do Estado de Madre de Dios. Lá, por volta das 21h, a turma desembarca pela segunda vez.
A Ponte Intercontinental, de cerca de 500 metros, inaugurada no ano passado pelos presidentes Alan Garcia e Lula, não pode ser usada. Os cabos de sustentação apresentaram irregularidades e a obra só deve ficar pronta mesmo em setembro, quase um ano após a festa política. O jeito é, novamente, apelar à balsa – para o ônibus – e a um precário bote de madeira para os passageiros. Preço por pessoa: um sol (moeda peruana) – cerca de R$ 0,60 – para cruzar o rio “cheio de piranhas”, segundo o barqueiro.
“Cuidado. Esto es peligroso”, alerta Gonzalo Alayo Perez, de 81 anos, um dos passageiros da viagem São Paulo-Lima, ao entrar no barco. “Sair do ônibus no meio da noite e ter de atravessar o rio num barquinho desses é um absurdo”, diz a brasileira Creusa Amazonas, que embarcou em São Paulo para fazer turismo em Cuzco e Lima por cerca de dez dias. Passar ao outro lado do rio em um bote é também um dos momentos mais delicados da viagem de Elza Menendez Carlos, peruana de 37 anos, que mora na Mooca, em São Paulo, e viajou com as filhas Lilian, de 12 anos, e Suellen, de 2.
Agarrada à menina de colo, Elza alerta a adolescente para ter cuidado enquanto o barqueiro apruma o bico da embarcação de madeira no barranco escuro, iluminado apenas por uma lanterna. Do bote lotado é possível ver as luzes da ponte novinha, mas inoperante. A cerca de 200 metros, rio acima, a balsa leva o ônibus vazio à outra margem.
Mas a parte mais chocante da viagem ainda nem começou. Por mais duas noites, com um dia no meio, o ônibus percorre a área mais crítica, porém mais bela do trajeto: a amazônia peruana e a Cordilheira dos Andes. O “autobús” (ônibus, em espanhol) passa a serpentear por encostas de picos num sobe e desce, segue e vira, em sucessivas curvas em U. É empreitada para poucos.
Anibal Castillo, de 55 anos, 30 na profissão, pega a direção para o estirão nas matas de Madre de Dios. Castillo gosta de dirigir à noite. “É mais fresco”, diz.
Nas mãos dele, o coletivo encara o trecho de amazônia peruana. No meio do nada, noite alta do terceiro dia, rumo a Cuzco, surgem as luzes dos garimpos. Tratores aproveitam a escuridão na selva para lavar cascalho em busca de ouro.
De repente, uma parada. Já é a hora de o mais jovem dos motoristas, Franklin McCubbin, de 53 anos, assumir o comando em uma das partes mais estressantes na direção da histórica Cuzco.
“Essa é a parte mais difícil”, concordam os três. “Há trechos de estradas de Mato Grosso e Rondônia (BR 364) que também retardam a viagem”, diz McCubbin. Mas isso nem é tão trabalhoso. O que pega mesmo é levar o possante a uma altitude de 4.725 metros, a uma velocidade média de 30 km/h pelas Rodovias 3S e 26, e baixar ao fundo do vale, até chegar a Cuzco.
A visão do amanhecer próximo da cidade misteriosa, na região do santuário inca de Machu Picchu, ajuda a enfrentar as náuseas do embalo nas curvas.
Na parada de cerca de 40 minutos, já pela manhã, o segundo banho na jornada. Chuveiro quente a 3 soles (R$ 2) em uma casa atrás da rodoviária da cidade. Logo, o retorno à estrada. Com piso de asfalto sem buracos, bem sinalizada, a estrada segue boa, mas é um teste para o labirinto. E só tem duas faixas.
“Sem problemas”, diz o Jacinto Napan, de 55 anos, na solidão da cabine durante seu turno na terceira noite da viagem. Napan troca de marchas, reduz ou reforça a potência do motor no moderno ônibus ouvindo música andina. Nas horas de folga, descansa no compartimento atrás da cabine ou aproveita assentos vagos no andar superior para assistir a filmes que distraem os viajantes.
Nazca. Na noite de sábado, finalmente, começa a descida ao litoral. À frente, a planície de Nazca. No andar de cima, passageiros dormem, inebriados pelo balançar e o ar rarefeito da altitude. A lua ilumina a planura que abriga curiosas construções de pedra que formam desenhos de animais gigantescos. O “conductor” Napan anuncia as luzes distantes de Nazca. E explica que à beira da rodovia há “miradores” para que, durante o dia, se possa ver do alto algumas das estruturas que intrigam o mundo.
Há quase 90 horas a bordo, já contando as curvas do acesso à rodovia para Lima, o paciente motorista não consegue mais esconder a pressa. Nas retas de Nazca, desconta os atrasos pisando fundo. É madrugada de domingo.
A última troca de motoristas ocorre perto de Ica, vizinha de Lima. Franklin Mc Cubbin volta ao comando na Rodovia 1. Aparecem as luzes da capital peruana. No carro, uma agitação no andar de cima revela a ansiedade dos passageiros. Uma fila de gente se forma na escada. A chegada a San Isidro ocorre às 6h, hora local. É o fim da linha.
Fonte: Intelog

Caminhões e ônibus se arrumam de todas as maneiras

         Não é só o mercado de automóveis que vai de vento em popa no Brasil. Sem fazer alarde, o segmento de caminhões e ônibus brasileiro ganha cada vez mais destaque no cenário internacional. Para transportar os produtos e matérias-primas da sétima economia do mundo, o Brasil já tem o quinto maior mercado de caminhões e o quarto de ônibus do planeta. Este sucesso do setor pode ser explicado pelo crescimento econômico brasileiro e por alguns incentivos do governo. Como o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e o projeto Procaminhoneiro, que financia a aquisição de caminhões a autônomos e microempresários a juros de 4,5% ao ano.
Enquanto cada vez mais caminhões ganham as estradas brasileiras, despertam a curiosidade os diversos tipos de modelos, seus tamanhos e suas capacidades. No Brasil, o Conselho Nacional de Trânsito (Contram) limita o peso máximo pelos eixos destes veículos. Esta limitação busca preservar o asfalto das rodovias, já que quanto maior o peso nos eixos, naturalmente maior será a degradação do asfalto. Por isso, para levar diversas toneladas, os caminhões precisam de um número maior de eixos, ou simplesmente precisam ter mais rodas para distribuir o peso.
Daí surgirem diversos modelos para diferentes usos. Nas cidades, os mais comuns são os chamados Veículos Urbanos de Carga (VUC), ou semileves, mais maleáveis e capazes de circular em ruas mais estreitas. Eles têm capacidade para cargas de apenas 3,5 toneladas. Há ainda os chamados leves, que têm capacidade de carga máxima entre 6 e 10 toneladas. O caminhão semi-pesado, com eixo simples na carroceria, pode carregar até 15 toneladas e tem comprimento máximo de 14 metros. E, no topo da “família”, estão os pesados, com eixo duplo na carroceria, e força para carregar até 23 toneladas, com um comprimento de até 14 metros.
Muito comuns nas estradas, os caminhões do tipo cavalo mecânico ­ também chamados de extra-pesados ­ contam com eixo simples, ou seja, com apenas 2 rodas de tração. Os maiores caminhões rodoviários de maior porte são as enormes carretas bitrem ou treminhão, que possuem 7 eixos e transportam até 57 toneladas. E, finalmente, os rodotrens, veículos com 9 eixos e capacidade para até 74 toneladas. Para rodar, estes brontossauros sobre rodas devem ter um trajeto pré-definido e uma Autorização Especial de Trânsito ­ AET.
Com os ônibus a história é similar. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), os ônibus são veículos de transporte coletivo com capacidade para mais de 20 passageiros. Estes modelos são divididos em seis categorias. Já os ônibus micro, mini e midi levam entre 10 e 20 pessoas, destinados quase sempre para rodar dentro das cidades, possuem uma ou duas portas e se diferenciam entre si pela largura do corredor ­ Mini 2,2 metros, Micro 2,4 metros e Midi 2,5 metros.
Entre os modelos maiores, os ônibus urbanos ­ comprimento máximo de 13,2 metros ­ possuem duas ou mais portas para embarque/desembarque, corredor interno mais largo, bancos não-reclináveis e, em alguns casos, salão de passageiros. Os intermunicipais ­ comprimento máximo de 12,5 metros ­, usado em linhas que entre municípios dentro do mesmo Estado, possuem uma porta de embarque/desembarque e poltronas reclináveis. Já os ônibus rodoviários ­ comprimento entre 12,5 metros e 14 metros ­, para transporte intermunicipal, interestadual, internacional, turismo ou fretamento, possuem uma ou duas portas, poltronas com vários estágios de reclinação, um ou dois pisos e, opcionalmente, acessórios como TV, geladeira, DVD, ar-condicionado, entre outros. Soluções para garantir conforto às pessoas que vão encarar horas, e às vezes dias, de viagem.
Segmentos de caminhões
- Veículo Urbano de Carga (VUC) ou caminhões semi-leves: próprios para rodar em cidades, têm largura máxima de 2,2 metros e comprimento máximo de 6,3 metros. A capacidade de carga máxima é de 3,5 toneladas.
- Caminhão leves: capacidade de carga máxima entre 6 e 10 toneladas.
- Caminhões semi-pesados: eixo simples na carroceria, peso bruto máximo de 15 toneladas e capacidade de carga de até 6 toneladas. O comprimento máximo da carroceria é de 14 metros.
- Caminhões pesados: eixo duplo na carroceria ­ um dos eixos traseiros é responsável pela tração ­, capacidade de carga até 15 toneladas e peso bruto máximo de 23 toneladas. Pode ter até 14 metros, como o semi-pesado.
- Cavalo mecânico ou caminhão extra-pesado: eixo simples ­ apenas 2 rodas de tração ­, pode ser usado com vários tipos de semi-reboques dependendo da carga a ser usada.
- Cavalo mecânico trucado: eixo duplo no cavalo mecânico.
- Carreta 2 eixos: tanto o cavalo mecânico quanto o semi-reboque tem 2 eixos cada. O máximo comprimento é de 18,15 metros e o peso bruto máximo é de 33 toneladas.
- Carreta 3 eixos: usa um cavalo mecânico com 2 eixos e um semi-reboque com 3 eixos. O comprimento é o mesmo da carreta de 2 eixos, mas o peso bruto máximo é de 41,5 toneladas.
- Carreta cavalo trucado: usa um cavalo mecânico trucado (3 eixos) e um semi-reboque também com 3 eixos. O comprimento máximo é de 18,15 metros e o peso bruto máximo é de 45 toneladas.
- Bitrem ou treminhão: tem 7 eixos e o peso bruto máximo é de 57 toneladas. Nestes bitrem, o semi-reboque pode ser tracionado por um cavalo mecânico trucado.
- Rodotrem: dois semi-reboques com capacidade para até 74 toneladas, 9 eixos ligados entre si por um veículo intermediário. Tracionado por cavalo mecânico trucado.
Segmentos de ônibus
- Mini: largura máxima 2,2 metros.
- Micro: largura máxima 2,4 metros.
- Midi: largura máxima 2,5 metros.
- Urbano: largura máxima 2,5 metros e comprimento entre 11 metros e 13,2 metros.
- Intermunicipal: largura máxima 2,55 metros e comprimento máximo de 12,5 metros.
- Rodoviário: largura máxima 2,6 metros, comprimento mínimo 12,5 metros e máximo de 14 metros.
Fonte: AutoPress