ANTT defende melhora do transporte rodoviário no Brasil
18:25
Postado por Mateus
O diretor-geral da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), Bernardo Figueiredo, defendeu hoje que seja dado foco no transporte rodoviário do Brasil, revertendo o quadro de deterioração do setor, já que é este segmento que vai sustentar, logisticamente, o crescimento econômico brasileiro esperado para os próximos anos. “O País é ‘rododependente’ e vai continuar assim por um bom tempo”, afirmou no Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), no Rio de Janeiro. “Às vezes se negligencia que é este o segmento que vai sustentar o crescimento.”
Figueiredo lembrou que menos de 10% do que é transportado no Brasil é levado por ferrovias, e com concentração para alguns produtos, como minério de ferro e grãos. Ele disse que há iniciativas regulatórias para fomentar novos negócios e levar novos players e investimentos para o setor ferroviário. O objetivo é dar mais competitividade e ampliar essa malha. Mas, em termos mais imediatos, o problema está no sistema rodoviário, cuja malha tem em média 18 anos e conta com gargalos logísticos, por exemplo, para chegar aos portos.
Figueiredo citou as cenas recorrentes de longas filas de caminhões, que acabam servindo para estocar produtos. “Isso é um contrassenso logístico. Caminhão não é para ficar parado, é para rodar.”
Segundo ele, nem sempre melhorar a logística significa construir novas estradas que demandem investimentos vultosos. “É preciso olhar para a situação operacional da logística, que às vezes é mais fácil e simples de resolver do que uma grande obra.”
Ele citou o caso de transportadores autônomos, que representam de cerca de 60% do que é transportado no País. Como eles operam informalmente, não têm acesso a financiamento para renovar a frota, que é antiga, com 20 anos em média. “Eles trabalham num regime de semiescravidão, recebem uma carta que lhes dá direito a consumir em postos de gasolina credenciados”, disse.
A agência criou um sistema para que o chamado carreteiro receba formalmente pelo seu trabalho, o que lhe abre caminho para linhas de financiamento.
Fonte: Paraná Online
Teste: Ford Cargo 1932
11:46
Postado por Mateus
Depois de triunfar no mercado de caminhões com sua família Cargo, tendo em torno de 18% de participação no Brasil, a Ford apresentou um novo projeto de cabine e atenta aos interesses do transportador brasileiro, incorporou a cabine-leito, a primeira no portfólio da marca. Contudo, manteve o trem de força, o motor Cummins ISC 315 de potência intermediária, 320cv, e o câmbio mecânico Eaton com 12 relações, agora mais caprichado e sincronizado. Trata-se de uma mecânica que atende as operações de curtas a médias distâncias, sobretudo no transporte de cargas volumosas sem grande densidade.Outro atributo desse modelo é a relação de diferencial longa (3,58:1), que, em trabalho com o motor, se traduz em agilidade e economia de combustível. Para se ter uma ideia, na rota São Paulo a Botucatu, pela rodovia Castelo Branco, a qual percorremos com o caminhão que estava sendo avaliado também pela Brastransportes, o veículo superou rapidamente as demandas do pedal do acelerador e do câmbio.
A cifra de torque que oferece o ISC, cerca de 128mkgf a 1300rpm, vai bem nas retomadas, mas já com o caminhão em ação. Nas saídas, com o veículo parado, por exemplo, num semáforo, deixa um pouco a desejar. “Mas nada que comprometa a condução”, lembra Vitor Elias dos Santos, motorista da Brastransportes. Tivemos uma mostra disso durante a saída de São Paulo, para acessar o Rodoanel Mário Covas. Na saída de um semáforo, Vitor teve de arrancar com o caminhão e rapidamente pular para 3ª marcha para que ele pudesse ganhar embalo. Nesse momento o caminhão estava a 30 km/h a 1500rpm. Mas na opinião do motorista, todo o conjunto motriz parece contribuir para uma condução altamente eficiente.
A presença de um câmbio com uma relação longa só não é muito favorável em rodovias com muito aclives, circunstância que obrigará a caixa FTS-16112 da Eaton a trabalhar reduzindo marchas. O que não foi o caso durante essa avaliação. Pelo perfil da rodovia, com poucos aclives e declives, não foi possível tirar a impressão do câmbio num trabalho árduo, porém, por exigir muitas trocas de marchas, graças às oscilações da estrada, conseguimos averiguar que a transmissão trabalha em plena harmonia com o motor e as trocas realmente estão mais macias e precisas. Razão da decisão acertada da Ford em manter na linha o mesmo conjunto. Na prática, por mais que o motorista alcance uma alta velocidade mesmo que em pouca marcha, em pista plana, o motor não sai da linha verde da rotação, que nesse modelo fica entre 1 200 e 2 000rpm. Isso se traduziu em economia de combustível, pois no teste que teve percurso de 211,4 km, o caminhão consumiu 52,83 litros, ou seja, 4km/l.
Do lado de dentro, os elementos atrativos não faltam ao Cargo 1932; é perceptível o nível de acabamento interno e a qualidade do material utilizado. O conforto é sentido também graças à suspensão da cabine, isso deixou o caminhão mais macio. Sem entrar na seara de comparativos, mas vale ressaltar que na cabine anterior o habitáculo estava praticamente rígido no chassi. A nova suspensão é composta por quatro amortecedores, dois dianteiros e dois traseiros, e resultam em menos impacto do caminhão das oscilações nas estradas. O painel, até então um projeto com cerca de 20 anos, nessa repaginada ganhou um desenho mais moderno e recebeu material mais amigável ao meio ambiente tendo o cizal na composição, o que colaborou para a redução do nível de ruídos e vibração internas, além de minimizar os efeitos dos raios solares, deixando o ambiente interno menos abafado.Com o conceito “Vida a Bordo” a Ford quis trabalhar os espaços e o uso dos materiais que compõem o habitáculo para deixá-lo o mais confortável possível para quem vai enfrentar longos períodos dentro da cabine. Por isso, além da atenção especial dada ao painel, que está mais ergonômico, com os comandos mais próximos do motorista, o ambiente incorporou mais porta-objetos, incluindo porta-copos, garrafas e espaço para colocar documentos entre os bancos. Dentro desse conceito, a Ford aprimorou alguns itens, como os vidros elétricos que são de série e as travas opcionais.
O sistema de ar foi outro ponto a favor, as saídas estão mais bem distribuídas e contribuíram para deixar a cabine mais arejada. O caminhão também possui escotilha que permite a circulação de ar com opção de abertura para frente e para trás. Cada assento tem um sistema de iluminação próprio, o que permite, por exemplo, o acompanhante mantê-la acesa sem incomodar o motorista quando estiver dirigindo. Os bancos ganharam um formato mais anatômico, com espuma de alta densidade que contribui para uma posição mais cômoda e confortável para o motorista e acompanhante, este também conta com espaço para movimentar as pernas mesmo estando sentado, pois o piso é amplo, possibilitando estica-las. Embaixo do banco do passageiro há um compartimento para guardar macaco, triângulo e chave de roda. Ainda vale acrescentar que o banco do motorista possui suspensão pneumática de série com regulagem de altura e profundidade. O mesmo nível de acabamento se tem na área de descanso. Nas palavras do motorista Vitor Elias: “achei a largura da cama uma das maiores, eu conheço os caminhões que fazem concorrência com esse aqui, e acho que essa cama é a mais ampla”.
Na área de descanso há espaço para guardar a bagagem e uma rede para guardar objetos como livros e revistas.
Por fora, o design se sobressai, tanto é que nessa avaliação sua nova “cara” chamou a atenção de vários motoristas na estrada. Numa rápida parada para um café, muitos caminhoneiros pediram para ver de perto a nova cabine. e o resultado não poderia ser melhor, foi unânime, todos gostaram do novo desenho e, a primeira vista, aprovaram o espaço interno. Mas além da estética, o caminhão ganhou detalhes que o deixaram mais aerodinâmico. A visibilidade também foi pensada nesse projeto, pois há uma ampla área envidraçada. Dois defletores aliam o efeito visual de movimento e contribuem para criar um fluxo de ar nas laterais da cabine, que, além de serem funcionais do ponto de vista aerodinâmico, segundo a Ford, ajuda a manter as portas limpas. As escadas permitem o fácil acesso, e o motorista conta com apoio de duas alças posicionadas junto a porta.
Não precisa ser um expert para afirmar que a Ford desenvolveu um produto competitivo e que vai render muitos frutos para a marca, além de tornar a vida de muitos transportadores mais produtiva, porque trata-se de um caminhão eficiente.
Fonte: Revista Transporte MundialKia Bongo faz um ano no Uruguai
23:41
Postado por Mateus
A linha de montagem do caminhão leve Bongo K2500 da Kia no Uruguai completou um ano de operações. Desde agosto do ano passado, a montadora produziu cinco mil unidades, destes, 4.680 foram exportados ao mercado brasileiro e o restante absorvido pelos uruguaios. No entanto, a capacidade nominal é de 12 mil em dois turnos de trabalhos.Na época da inauguração, como justificativa para investir US$ 25 milhões na planta e, posteriormente, trazer o modelo para o Brasil, José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors Brasil e Uruguay, apontava aumento da demanda interna para atender as legislações quanto à circulação de caminhões médios e pesados que começava a ficar mais rigorosa nas metrópoles.
Agora, em comemoração ao feito, a empresa levou um grupo de jornalistas especializados para os quais revelou os planos futuros para a linha, montada na planta fabril da Nordex S.A, na capital do país – Montevidéu.
No primeiro ano, a média mensal foi de 416 caminhões leves Bongo, destinados aos mercados brasileiro e uruguaio, já com o cumprimento do “Programa de Integração Progressiva do Mercosul”. O primeiro lote, com 500 unidades, saiu da linha de produção em setembro passado.
A partir de julho último, porém, a fabricação subiu para 700 unidades, que significam 32 veículos por dia ou ainda quatro veículos por hora. De acordo com a empresa, a meta é dobrar a produção, atingindo 1.400 por mês no segundo semestre de 2012.
“Iniciamos nossas operações industriais com quatro fornecedores brasileiros e seis uruguaios e argentinos, além de 80 funcionários. Já na virada do ano, passamos a ter 17 empresas fornecedoras, sendo sete do Brasil, cinco do Uruguai e cinco da Argentina. E, neste momento, contamos com aproximadamente 180 funcionários dedicados ao nosso projeto”, explica João Pessoa, diretor de desenvolvimento industrial da Kia Motors Brasil e Uruguay.
Pessoa lembra que para cumprir a estimativa de produção do próximo ano, superior a um mil unidades por mês, a KMU deverá operar em dois turnos e o contingente na linha de fabricação deverá subir para aproximadamente 250 funcionários.
“Depois de todas as adaptações feitas ao longo do primeiro ano”, explica Pessoa, “neste segundo exercício, vamos agregar uma série de processos, de novos equipamentos, tornando a linha de produção mais ágil, além de investir em novos motores de cumprimento à legislação
do Euro 5/Proconve P7”.
Único modelo
Por enquanto, o Bongo K2500 é o único produto da linha Bongo a ser produzida no Uruguai. Segundo os propósitos da montadora, o modelo é o mais vendido no país e no Brasil. A empresa continuará importando as outras sete versões da linha. A iniciativa, porém, não tornará o preço do Bongo K2500 mais competitivo. Por enquanto, o modelo terá 47% de nacionalização; a empresa pretende aumentar o índice para 60% em três anos.
“Com a elevação da produção mensal superior a mil unidades, na segunda fase de produção do Bongo, a partir do próximo ano, vislumbramos alcançar os mercados argentino e paraguaio”, destacou Gandini.
Fonte: iCaminhões
96 horas – A viagem de ônibus mais longa da América do Sul – São Paulo a Lima, no Peru
16:25
Postado por Mateus
A mais longa linha de ônibus da América do Sul tem 5.917 quilômetros e liga o Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo, ao bairro de San Isidro, em Lima, no Peru. Centenário sonho de integração dos dois países, a viagem por terra do Atlântico ao Pacífico une um complexo de estradas que cruza cinco Estados brasileiros e sete departamentos peruanos em uma travessia de quatro dias.
Na semana passada, acompanhamos a aventura de 18 passageiros que enfrentaram 96 horas de viagem a bordo de um ônibus da empresa peruana Expreso Ormeño. As paradas do veículo de dois andares, que tem lugar para 44 passageiros (mas viajou a meia-carga), ocorrem somente para abastecimento de combustível, alimentação e higiene – cada uma delas de no máximo 40 minutos.
A partida para a capital do Peru acontece no boxe 31 do Tietê, às 8 horas, uma vez a cada 15 dias. A passagem custa R$ 468. A linha São Paulo-Lima é operada desde novembro pela Ormeño, empresa de transporte internacional rodoviário com rotas do Peru para o Chile, Colômbia, Bolívia, Equador, Argentina e Venezuela.
A primeira parada, após 6 horas de rodagem, ocorre em Maracaí, na Rodovia Raposo Tavares, próximo de Ourinhos, às 14h, para reabastecimento e almoço. Neste ponto começam a aparecer os primeiros incômodos da longa travessia. A próxima parada para esticar as pernas só ocorrerá em Cáceres (MT), na manhã do segundo dia. É a hora de aproveitar o primeiro – e reconfortante – banho.
Por R$ 3, os passageiros podem desfrutar de sete minutos de água quente em um banheiro controlado por um funcionário do posto de gasolina que, aos gritos, coordena a ligação dos chuveiros, em série, tanto do lado masculino quanto do feminino. “Número um tá ligado. Mas tem de esperar um minuto para a água chegar aí. Número dois, pode ligar?”, berra o rapaz, à porta dos sanitários.
A seguir, novamente horas e horas de pastos, gado e a faixa de mata ao longe, acompanhando o ônibus até a parada em Pontes e Lacerda para o almoço, às 14h. No cardápio, arroz, frango frito, macarrão, salada. Logo após, o aviso: nova parada somente no dia seguinte, por volta das 7h, em um bar de beira de estrada em Nova Califórnia, divisa de Rondônia com o Acre.
Mas, antes, no meio da noite, uma surpresa: a travessia do Rio Madeira, na BR 364, altura de Abunã, tem de ser feita em balsa. Toca a descer todo mundo para o ônibus passar vazio, com o povo acomodado ao lado do veículo. Adiante, após uma hora na rodoviária de Rio Branco, finalmente a fronteira: Assis Brasil (lado brasileiro) e Iñapari (Peru).
Parada forçada. Sem RG, o passageiro Cristopher Hernán Pacheco, de 15 anos, é barrado pela Polícia Federal brasileira, e provoca uma parada forçada de três horas na viagem. Após uma ligação a São Paulo, onde vive a família de Cristopher, agentes se convencem de que está tudo legal com ele. Peruano com cidadania brasileira, o rapaz retorna a seu país após quatro anos. Está ansioso por rever sua terra. Poucos metros depois, ao passar pela alfândega, mata a saudade de beber Inca Kola, refrigerante popular no Peru.
Começa neste ponto a estrada Interoceânica, trecho recém-asfaltado, que liga Assis Brasil, no Acre, a Puerto Maldonado, capital do Estado de Madre de Dios. Lá, por volta das 21h, a turma desembarca pela segunda vez.
A Ponte Intercontinental, de cerca de 500 metros, inaugurada no ano passado pelos presidentes Alan Garcia e Lula, não pode ser usada. Os cabos de sustentação apresentaram irregularidades e a obra só deve ficar pronta mesmo em setembro, quase um ano após a festa política. O jeito é, novamente, apelar à balsa – para o ônibus – e a um precário bote de madeira para os passageiros. Preço por pessoa: um sol (moeda peruana) – cerca de R$ 0,60 – para cruzar o rio “cheio de piranhas”, segundo o barqueiro.
“Cuidado. Esto es peligroso”, alerta Gonzalo Alayo Perez, de 81 anos, um dos passageiros da viagem São Paulo-Lima, ao entrar no barco. “Sair do ônibus no meio da noite e ter de atravessar o rio num barquinho desses é um absurdo”, diz a brasileira Creusa Amazonas, que embarcou em São Paulo para fazer turismo em Cuzco e Lima por cerca de dez dias. Passar ao outro lado do rio em um bote é também um dos momentos mais delicados da viagem de Elza Menendez Carlos, peruana de 37 anos, que mora na Mooca, em São Paulo, e viajou com as filhas Lilian, de 12 anos, e Suellen, de 2.
Agarrada à menina de colo, Elza alerta a adolescente para ter cuidado enquanto o barqueiro apruma o bico da embarcação de madeira no barranco escuro, iluminado apenas por uma lanterna. Do bote lotado é possível ver as luzes da ponte novinha, mas inoperante. A cerca de 200 metros, rio acima, a balsa leva o ônibus vazio à outra margem.
Mas a parte mais chocante da viagem ainda nem começou. Por mais duas noites, com um dia no meio, o ônibus percorre a área mais crítica, porém mais bela do trajeto: a amazônia peruana e a Cordilheira dos Andes. O “autobús” (ônibus, em espanhol) passa a serpentear por encostas de picos num sobe e desce, segue e vira, em sucessivas curvas em U. É empreitada para poucos.
Anibal Castillo, de 55 anos, 30 na profissão, pega a direção para o estirão nas matas de Madre de Dios. Castillo gosta de dirigir à noite. “É mais fresco”, diz.
Nas mãos dele, o coletivo encara o trecho de amazônia peruana. No meio do nada, noite alta do terceiro dia, rumo a Cuzco, surgem as luzes dos garimpos. Tratores aproveitam a escuridão na selva para lavar cascalho em busca de ouro.
De repente, uma parada. Já é a hora de o mais jovem dos motoristas, Franklin McCubbin, de 53 anos, assumir o comando em uma das partes mais estressantes na direção da histórica Cuzco.
“Essa é a parte mais difícil”, concordam os três. “Há trechos de estradas de Mato Grosso e Rondônia (BR 364) que também retardam a viagem”, diz McCubbin. Mas isso nem é tão trabalhoso. O que pega mesmo é levar o possante a uma altitude de 4.725 metros, a uma velocidade média de 30 km/h pelas Rodovias 3S e 26, e baixar ao fundo do vale, até chegar a Cuzco.
A visão do amanhecer próximo da cidade misteriosa, na região do santuário inca de Machu Picchu, ajuda a enfrentar as náuseas do embalo nas curvas.
Na parada de cerca de 40 minutos, já pela manhã, o segundo banho na jornada. Chuveiro quente a 3 soles (R$ 2) em uma casa atrás da rodoviária da cidade. Logo, o retorno à estrada. Com piso de asfalto sem buracos, bem sinalizada, a estrada segue boa, mas é um teste para o labirinto. E só tem duas faixas.
“Sem problemas”, diz o Jacinto Napan, de 55 anos, na solidão da cabine durante seu turno na terceira noite da viagem. Napan troca de marchas, reduz ou reforça a potência do motor no moderno ônibus ouvindo música andina. Nas horas de folga, descansa no compartimento atrás da cabine ou aproveita assentos vagos no andar superior para assistir a filmes que distraem os viajantes.
Nazca. Na noite de sábado, finalmente, começa a descida ao litoral. À frente, a planície de Nazca. No andar de cima, passageiros dormem, inebriados pelo balançar e o ar rarefeito da altitude. A lua ilumina a planura que abriga curiosas construções de pedra que formam desenhos de animais gigantescos. O “conductor” Napan anuncia as luzes distantes de Nazca. E explica que à beira da rodovia há “miradores” para que, durante o dia, se possa ver do alto algumas das estruturas que intrigam o mundo.
Há quase 90 horas a bordo, já contando as curvas do acesso à rodovia para Lima, o paciente motorista não consegue mais esconder a pressa. Nas retas de Nazca, desconta os atrasos pisando fundo. É madrugada de domingo.
A última troca de motoristas ocorre perto de Ica, vizinha de Lima. Franklin Mc Cubbin volta ao comando na Rodovia 1. Aparecem as luzes da capital peruana. No carro, uma agitação no andar de cima revela a ansiedade dos passageiros. Uma fila de gente se forma na escada. A chegada a San Isidro ocorre às 6h, hora local. É o fim da linha.
Fonte: Intelog
Para especialistas, a maioria dos acidentes com caminhões podem ser evitados com prevenção
13:31
Postado por Mateus
Na tarde desta terça-feira, 16/08, em Santo André-SP, uma roda se soltou do eixo de um caminhão e causou a morte de um casal que caminhava pelo local, além de danificar alguns veículos. Acidentes como este poderiam ser evitados, se a manutenção preventiva da frota de veículos pesados fosse levada mais a sério.
“O fato da roda ter se soltado do eixo junto com o tambor de freio indica que pode ter havido quebra no rolamento. Essa peças dá sinais de problemas antes de arrebentar”, explicou o professor de engenharia mecânica da FEI (Fundação Educacional Inaciana), Silvio Sumioshi.
Um levantamento realizado desde o ano passado pelo GMA (Grupo de Manutenção Automotiva) -que reúne os principais sindicatos das indústrias de autopeças – aponta que, de 576 caminhões inspecionados pela entidade, 68% tinham problemas de direção e 38% rolamentos defeituosos.
“Atualmente, menos de metade da frota de veículos com mais de vinte anos (46%), passa por algum tipo de manutenção preventiva. Muita gente deixa para fazer a manutenção do veículo somente quando ele quebra”, avaliou o coordenador do Grupo e vice-presidente do Sindpeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), Antônio Carlos Bento.
Por este motivo, o Grupo defende a implantação no país de uma checagem geral da frota, como a que acontece na Europa, Estados Unidos e Japão, onde, além do nível de poluição, são verificados o estado das peças.
“Muita gente compra um veículo e pensa que ele vai durar para sempre. Se esquece de contar os custos de manutenção. No caso dos caminhões, é possível afirmar ainda que a alta demanda pelos serviços de transporte contribui para o descaso com a manutenção”, completou Bento.
O coordenador do GMA, ressalta porém que não basta ser feita a manutenção. O serviço também precisa ser feito com peças de qualidade para evitar problemas.
“Mesmo em veículos de frotas das transportadoras encontramos problemas, quando se espera que eles tivessem em melhor estado”, destacou.
Um grande problema, afirmou Bueno, é a existência de peças de procedência duvidosas, que chegam a custar 20 vezes menos que um componente com a procedência garantida. Mais uma vez, os rolamentos entram na história. Eles estão entre as peças preferidas dos falsificadores.
“Esse tipo de componente vende porque muita gente acha que está pagando menos por uma peça semelhante. Mas não é assim. Uma roda, por exemplo, chega a durar cerca de 10% do tempo que uma peça original iria durar”, ressaltou o coordenador do GMA.
Fonte: Rede BOM DIA






